As metodologias ágeis traduzem-se num veículo que promete a execução dos projetos dentro do prazo, impedindo que a perda de foco ou a falta de informação coloquem em causa os projetos. Por seu lado, as equipas incorporam um formato leve e dinâmico, garantindo que as tarefas sejam executadas sem grandes desvios no planeamento do projeto, algo que minimizará paragens ou correções de fundo no futuro.

 

Este artigo vem comprovar a máxima “Tudo que é um excesso faz mal”. Ou seja, o perigo escondido dentro dos métodos Agile reside na sua própria essência, no alongar de práticas redundantes que impedem o avanço, como passo a explicar:

 

Reuniões

As reuniões são muito importantes porque ajudam a manter o planeamento sem derrapagens. No entanto, existe uma tendência natural para se debater todos os temas, obrigado a um uso excessivo do debate, introduzindo demasiadas paragens de reflexão durante a produção, o que acabará por disponibilizar frações insignificantes do dia para que efetivamente se executem as tarefas atribuídas.

 

Interrupções

Quando necessitamos de debater alguma matéria ou de expor um problema a um colega, pressupõem-se que exista disponibilidade de agenda desse membro da equipa. Em equipas demasiadamente dinâmicas tende a perder-se a disciplina, desrespeitando-se o espaço dos outros. Na prática, a pesquisa, o estudo e a capacidade autodidata são substituídos pelo facilitismo de recorrer à ajuda dos colegas de trabalho.

 

Independência

A demasiada independência dos profissionais dos quadros superiores, pode culminar numa catástrofe, principalmente pelo facto de profissionais menos experientes tomarem decisões críticas de forma errada, que muitas vezes permanecem camufladas até uma fase avançada do projeto, tornando a sua reversão comprometedora para o cumprimento do projeto. Por outro lado, a criação de tarefas de forma unilateral, complica o planeamento do gestor de projeto que não tem conhecimento de comunicações efectuadas sem ter sido notificado.

 

Criatividade

O processo criativo pode tornar-se num dos maiores entraves ao cumprimento dos prazos de um projeto Agile. Por vezes, a vontade de beber novas ideias acaba por prevalecer à objetividade, tornando os processos cíclicos e inibidos de avançar para as fases seguintes.

 

Cultura

É uma utopia partir-se do princípio que se pode gerir uma organização através de uma partilha total das funções, anulando hierarquias e regulamentações. É sempre necessário que exista uma  cultura de empresa. Muitos projetos caem pelo facto de se perder o controle.

 

Formação

Os processos ágeis devem ser simplificados, até porque é a simplicidade que vai permitir avançar. O problema surge quando a metodologia assume um caráter obsessivo. Ou seja, existe um excesso de discussão e formação que levam ao uso desmedido do tempo com questões conceptualistas.

 

É muito mais complexo implementar um projeto ágil do que aquilo que se julgue à partida porque, em muitos casos, estamos paralelamente a confrontar diferentes mentalidades. O método é comprovadamente o caminho correto, embora seja imperativo que se proceda à correta implementação, uma vez que se trata de um processo produtivo desmultiplicado em ciclos.

 

A verdade é que mais do que uma boa teia de KPIs, o importante é que exista uma excelente noção do estado global do projeto e que se previsto e documentado devidamente as necessidades do cliente, de forma a existir precisão no que toca à quantidade e duração dos ciclos produtivos. Para que se alcance o sucesso tem de existir um envolvimento recorrente do cliente, a entidade que detém o know-how no segmento em que opera e onde o produto vai servir.

 

foto

Sobre o autor

Francisco Cardoso é CEO da ZALOX. Com várias décadas de experiência na gestão de empresas, projetos digitais e equipas, reúne neste blog o know-how adquirido, ajudando gestores a ultrapassar desafios atuais.